Serogroup Distribution and High Seroprevalence of Bovine Leptospirosis in Southeastern Portalegre, Portugal
Palavras-chave:
Leptospirose bovina, seroprevalência, MAT, PCR, epidemiologia, Portugal, zoonoseResumo
A leptospirose bovina é uma doença zoonótica de distribuição mundial, com implicações significativas para a saúde animal, a saúde pública e a produtividade pecuária. O presente estudo teve como objetivo caracterizar a situação epidemiológica da leptospirose em bovinos da região do Alto Alentejo (Portugal), com especial enfoque na distribuição dos serogrupos e na dinâmica da infeção. Entre fevereiro e junho de 2025, foram amostrados 83 bovinos provenientes de 11 explorações pecuárias distribuídas por quatro concelhos. A análise serológica foi realizada através do teste de microaglutinação (MAT), enquanto a deteção molecular de ADN de Leptospira patogénica foi efetuada por reação em cadeia da polimerase (PCR) em amostras selecionadas de vitelos. No total, 81% dos animais apresentaram resultados seropositivos, sugerindo uma exposição generalizada e uma circulação endémica do agente. Os serogrupos mais prevalentes foram L. Pomona (27%), L. Mozdok (23%) e L. Pyrogenes (13%), representando, em conjunto, mais de 78% dos casos positivos. Foi frequentemente observada reatividade a múltiplos serogrupos, refletindo uma exposição repetida ou reações cruzadas. As infeções apresentaram uma distribuição geográfica alargada, com maior frequência em sistemas de produção extensivos. A PCR confirmou infeção ativa em vitelos, reforçando o papel da leptospirose em casos de doença aguda e episódios de mortalidade. As condições climáticas, em particular o aumento da precipitação, terão provavelmente contribuído para a persistência ambiental e a transmissão do agente. Globalmente, os resultados sugerem um cenário epidemiológico complexo, envolvendo múltiplos serogrupos, reservatórios ambientais e interações entre hospedeiros nos bovinos do Alto Alentejo. Contudo, as conclusões devem ser interpretadas com prudência, devido à dimensão relativamente reduzida da amostra, à cobertura geográfica limitada, ao desenho transversal do estudo e à utilização restrita da PCR apenas em amostras selecionadas. Estes resultados reforçam a necessidade de melhorar os programas de vigilância, adaptar as estratégias de vacinação e implementar medidas integradas de controlo para mitigar o impacto da leptospirose bovina no sul de Portugal.
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